Iemanjá (Yemọjá na Nigéria, Yemayá em Cuba e
apenas Iemanjá no Brasil; é o orixá do povo Egba,
divindade da fertilidade originalmente associada aos rios e desembocaduras. Seu
culto principal estabeleceu-se em Abeokuta após migrações forçadas,
tomando como suporte o rio Ògùn de onde manifesta-se em
qualquer outro corpo de água. Também é reverenciada em partes da América do
sul, Caribe e Estados unidos. Sendo identificada no merindilogun pelos odus
Irosun, Ossá e Ogunda e é representada materialmente pelo assentamento
sagrado denominado Igba Iemanjá. Manifesta-se em iniciados em seus mistérios (eleguns)
através de possessão ou transe.
Celebrada em Ifé como filha de Olokun a divindade dos
mares, essa simbiose lendária foi enaltecida no processo da diáspora africana resultando
na assimilação de Iemanjá dos atributos da água salgada, sendo o motivo para a
sua associação aos mares no Novo Mundo. Com o sincretismo de outras divindades
e de influências européias, foi imbuída de inúmeros atributos e poderes em uma
grande variedade de cultos. O seu arquétipo maternal consolidou-se sobretudo
como Mãe de todos os Orixás. Iemanjá nas palavras de D. M.
Zenicola, "representa o poder progenitor feminino; é ela que nos faz
nascer, divindade que é maternidade universal, a Mãe do Mundo".
Ela ama os homens do mar e os protege. Mas
quando os deseja, ela os mata e torna-os seus esposos no fundo do mar".
"Iemanjá", nome que deriva da
contração da expressão em iorubá Yèyé omo ejá ("Mãe
cujos filhos são peixes") ou simplesmente Yemọjáem referência
a um rio homônimo cultuado nos primórdios do culto deste orixá.
Iemanjá, em seu culto original, é um orixá
associado aos rios e desembocaduras, à fertilidade feminina, à maternidade
e primordialmente ao processo de gênese do Àiyé (mundo) e a continuidade da
vida.
A referência da guerra e da fuga dos egbas
reflete-se em sua mitologia.
Sobre o temor do poder da ancestralidade
feminina reverenciada em Iemanjá, legitimada em sua própria mitologia,
Omari-Tunkara explica: "Existem várias referências na literatura sobre
os iorubás na África Ocidental para o papel de Yemọjá como
Àieé ou Iyami - nossa mãe (ou bruxa no pensamento ocidental). De acordo
com Peter Morton-Williams (1960), Yemọjá é a mãe da
feitiçaria. Em um estudo clássico, Deuses Negros e Reis, Thompson
cita dois sacerdotes de alto escalão que enfatizam a estreita ligação de Yemọjá e
Gelede,, uma sociedade dedicada à apaziguar iyami: "Gelede é a
adoração de Yemọjá, deusa do mar e rio. As máscaras de Gèlèdé
representam ela e seus descendentes do sexo feminino', e 'Yemọjá é
proprietária de Gélèdé'.
Em alguns mitos, Iemanjá teria sido mulher
de ogum, acompanhando-o em suas inúmeras campanhas de guerra com porte do
facão (obé), mas insatisfeita com seu casamento com o Orixá da guerra quis
livrar-se dele. O mito registrado por L. Cabrera se inicia com a afirmativa que
naqueles tempos quando Ikú, a Morte, levava a vida de alguém não lhe sepultavam
o corpo, e Iemanjá sabendo disso planejou tirar proveito.
Há um outro relato de infidelidade de
Iemanjá quando casada com Ogum na santeria, tendo por amante obaluayê. O
envolvimento amoroso de ambos teria sido descoberto pelos cães de Ogum,
sempre fiéis. Noutras menções, ambos são, também, casados, no Brasil
no entanto evidenciou-se um vínculo maternal entre Iemanjá e Obaluayê, orixá
das doenças e da cura, que teria sido criado como filho adotivo por ela após
este ter sido abandonado por sua mãe Nanã, por ter nascido com o corpo coberto
de feridas. Obaluaiyê perdoaria a mãe biológica mais tarde, mas sem jamais
abandonar Iemanjá que o criou.
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Estátua de Iemanjá na Praia de Camburi - Estado: Espírito Santo - Brasil |
"A relação de Iemanjá com os
homens, nas lendas mais antigas, é a de distância física. Ela está sempre farta
dos esposos, sempre fugindo deles ou, no mínimo, eles estão ausentes. Não há
relatos ancestrais de amores ardentes e sensuais e seus companheiros aparecem
apenas como os pais materiais de seus filhos, embora ela habitualmente conceba
sozinha a sua prole. A relação de Iemanjá com os seus companheiros é de a
parceria, de amizade, de comunhão e não de amor sexual.
Iemanjá sendo uma divindade possuidora de
grande popularidade no Brasil e em Cuba é celebrada com grandes
festas públicas, entre as quais se destacam o presente de Iemanjá na praia do
Rio Vermelho na Bahia no dia 2 de fevereiro, e a festa no dia 8 de dezembro
juntamente as festividades de Nossa Senhora da Conceição no Brasil. Em Cuba,
suas festividades ocorrem no dia da Virgem de Regla, em 8 de setembro.
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Yemowô ou Yeyemowo
Na África, é mulher de Oxalá, sendo citada por Verger como
sendo qualidade de Iemanjá. S. Poli, no entanto, a apresenta como divindade
distinta.
No Brasil, a orixá goza de grande popularidade entre os seguidores de
religiões afro-brasileiras e até por membros de religiões distintas. Em
Salvador, ocorre anualmente, no dia 2 de fevereiro, a maior festa do país em
homenagem à "Rainha do Mar". A celebração envolve milhares de pessoas
que, trajadas de branco, saem em procissão até o templo mor, localizado no
bairro Rio Vermelho, onde depositam variedades de oferendas, tais como
espelhos, bijuterias, comidas, perfumes e toda sorte de agrados. Todavia, na
cidade de São Gonçalo, os festejos acontecem no dia 10 de fevereiro.
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Igba Orixá de yemaya na Santeria - Cuba |
A Festa de Nossa Senhora dos Navegantes em
Porto alegre é a maior festa religiosa da cidade brasileira do sul do
Brasil, e homenageia Nossa Senhora dos Navegantes e seu sincretismo
afro-brasileiro. É realizada no dia 2 de fevereiro de cada ano, desde 1870.
Originalmente, constava de uma procissão fluvial, com embarcações que singravam
o Lago Guaíba desde o cais do porto, levando a imagem da santa do Centro
da Cidade até a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes. Hoje, por determinação
impeditiva da Capitania dos Portos, a procissão é terrestre, levando a imagem
desde a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no Centro da cidade, até a Igreja
de Nossa Senhora dos Navegantes.